O tempo de standby da minha actividade clandestina do registo de emoções já vai longo..
A maré de azar, no que diz respeito à minha maçã branca, parece que veio para ficar. A coitada apanhou tal empeno no software/hardware que está difícil de a recompor. Deve ser qualquer coisa como Malária informática.
Por cá continua invariavelmente a fazer calor, o site Accuweather anuncia para o dia de hoje 34ºC (43ºC RealFeel), confesso que custa um bocadinho mas apesar de custar, sabe-me que nem ginjas. Calor de noite, de dia e às horas do meio dia! Sempre calor!
Durante este intervalo do meu relato aconteceram, se nada me foge da memória, três escapatórias de Maputo.
A ida à Ilha de Inhaca, um regresso à Ponta d'Ouro (onde "quase" nos ia saltando uma roda do carro) e a ida ao Xai Xai que não vou descrever, por ser uma repetição de boas sensações já descritas anteriormente em outros lugares e também por ter estado a maior parte do tempo inconsciente devido à noite da véspera não ter merecido uma passagem pela cama..
Inhaca é um sitio que quero repetir!
A viagem de barco dói um pouco, 2h de caminho em que o ideal é arranjar um canto e dormir para ver se passa rápido. Como alternativa havia um outro barco que fazia o percurso em metade do tempo mas nos preferimos o low cost/aventura.
Sair do barco foi a aventura dentro da aventura pois este parou ao largo da ilha e foi recebido por lanchas, botes e barcaças a motor para recolher os passageiros e os levar até à areia da praia.
Passar do barco para os botes ou barcaças, com um mar um tanto ou quanto batido, deu direito a muitos mergulhos involuntários no mar.
Á chegada lá nos esperavam os guardas a cobrar 100 ou 200 meticais por pessoa, para ajudar na preservação da ilha que bem merece.
A contemplação deste espaço, abraça barcos perdidamente semeados e de casco tombado por este areal extenso, à espera que outras marés lhes devolvam a água, para que assim possam de novo ganhar vida..
A água é AZUUUUL e límpida, o sol é quente e irradia uma enorme luminosidade.
Lá fomos rapidamente deixar as nossas coisas (eu não deixei nada porque sou light weight traveller) ao Manico Camp que nos acolheu. Para lá chegar, trepamos todos para a caixa aberta de uma pickup que era conduzida despreocupadamente por entre a vegetação. Ao estilo de jogo de computador, lá fomos atentamente agarrados, a desviar-nos das ramagens que íamos rasgando e ameaçavam chicotear-nos à menor distracção.
Palhotas com uma ventoinha no interior, bem confortáveis por sinal, banhos de chuveiro em balneários de madeira palhinha e canas e latrinas que não merecem descrição, era tudo o que nos esperava. Claro está, havia também o bar onde nos podíamos abastecer de Laurentinas, o centro das palhotas onde se fazia a fogueira durante a noite e as duas espreguiçadeiras por baixo do abrigo de colmo, que boas sestas me proporcionaram.
Voltamos à vila (para qualquer lado que nos deslocássemos havia o tal jogo ninja das ramagens) para encher o buxo de marisco no "humilde estabelecimento" do Sr. Armando Carioca e arrancamos para a Ilha dos Portugueses num semi-rigido (que ao fim de cada viagem de ida tinha de ser enchido à bombada pois a lona tinha um furo), acompanhados de uma lancheira recheada de coisas boas para ajudar a degustar aquele resto de tarde.
A Ilha dos Portugueses é a ilha!
...para se ir com aquela pessoa, ficar de um dia para o outro ou mesmo mais e curtir!!
Curtir o mar, a vista a natureza, a vida e tudo isto claro está, pelado!
De cervejinha em cervejinha lá ficamos a passear e a ver o sol a despedir-se. Voltamos no semi-rigido, depois de muito dar à bomba novamente, já a desafiar o fim do crepúsculo, no limite da visibilidade para quem anda no mar...
...o ceu era brutal!
Á noite fizemos a festa no Sr. Armando Carioca e reunimos com o colega Frederico que foi desterrado para este paraíso escondido (coitado) e fomos descobrir quase em cima da praia, um festão de aniversario onde fomos extremamente bem recebidos e tchilamos até não poder mais.
O dia seguinte, levou-nos à outra costa da ilha (sempre com movimentos ninja por causa das ramagens do caminho), até "Santa Maria" que é uma praia lindíssima com coral, onde lá descolamos uns óculos e um escafandro e lá fui eu ter com a bicharada amigável. Vêem-se coisas muuuuuuito fixes!
Não quero voltar para Maputo, era forte este sentimento à hora do regresso.
Mudando para outros assuntos e abandonando a Inhaca que estes revivalismos estão a deixar-me de água na boca...
Quase de surpresa recebi cá em Moçambique, uma ligação com a vida que deixei para trás, que veio abanar um pouco, no sentido de me fazer pensar na velocidade de como todas estas emoções e a continua novidade tem acontecido mas que também me aproximou a memórias do que em Portugal deixei, do que em Portugal me espera ou mesmo do que em Portugal lê o meu blogue.