sábado, 30 de janeiro de 2010

Notícias de Maputo

Aqui vão algumas notícias de África para saciar um pouco a curiosidade aos seguidores do meu "diário de bordo"...

Este fim de semana estava prevista a ida a um spa na Swazilandia, mas, um percalço com um dos elementos da crew, reteve-me em Maputo que durante o dia é entediante, por isso, aproveitámos para recuperar da ressaca semanal de trabalho conjuntamente com a ressaca da noite de ontem.

Assim sendo aproveito para vos actualizar das novidades e pontos altos da minha semana.
A chuva forte abriu em cheio a Segunda-feira. Não sei se será um prenúncio da época das chuvas pois parece que as variações climatéricas, também aqui se fazem sentir.
Tenho tentado saber quando começa essa dita época, a ver se me previno mas ainda ninguém me conseguiu responder com exactidão...
Certo é, que a manhã de Segunda-feira inundou Maputo (literalmente inundou a baixa) tal foi a intensidade da chuva que caiu.
Por volta das 11h da manhã, completamente alheio ao que ia encontrar, tive de me deslocar à Matola e o cenário que encontrei era dantesco. Cheguei a ficar assustado pois pensei que ia ficar por ali, quem me conhece sabe que eu gosto deste tipo de aventuras e a "jipanga" em que me deslocava era bem grande por isso imaginem...
Facilmente poderiam haver barcos a atravessar a Av. 25 de Setembro que mais parecia ter-se transformado no "Rio 25 de Setembro".
Mudando de assunto, começou a trabalhar a pessoa que temos em casa a tratar-nos das limpezas, roupa, comida e tudo mais.
Chama-se Artur, é um jovem de 29 anos que parece um garoto, vem trabalhar de calças rasgadas e AllStar feitos num 8 e diz a tudo "si patrão" ainda antes de termos completado a mensagem que lhe queremos transmitir...
Empatizo com ele, ás vezes imagino-me a chegar a casa de manhã, vindo da noite perdido de perdido, a dar-lhe um berro e um abraço e dizer "BORA ARTUR, VAMOS AI PASSAR A FERRO OS DOIS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ..."
Foram poucos os dias e ele ainda se está a adaptar mas parece trabalhar bem, a nossa casa é bem grande e ele passa cá os dias da semana desde as 7:30 da manhã às 17h a compor o nosso desleixo pela quantia de 2000 meticais mensais, cerca de 40€ (no comments)...
Esta semana também, houve um dia em consegui por de lado o peso na consciência de todo o trabalho que tenho para fazer e dei um pulinho ao Festival Marrabenta que aconteceu no centro Franco Português.
Valeu a pena pelo espaço e para ver as performances dos verdadeiros e puros. No caso concreto era um senhor de 90 anos, que dançava e cantava de acordo com as raizes desta corrente musical se é que lhe posso chamar assim.

Por ultimo, a nossa casa teve de ser desinfestada pois Las Cucarachas estavam a perder toda a vergonha inicial e a ficar cada vez mais descaradas, agora é vê-las a todas de patinhas viradas para o ar.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Mergulho Índico

A lente da minha máquina, não tem o poder necessário para processar toda a força visual deste lugar!!
Neste post dou prioridade ás imagens.





O Bilene foi fenomenal!
(...o escaldão que apanhei também...)
Foi o primeiro fim de semana que consegui fugir de Maputo. Acordei após apenas ter dormido 1 hora, enfiei-me dentro dos nossos "chapas" em versão luxo e lá arrancamos 26 mariolas em direcção a norte pela estrada nº1.
Finalmente deixei de ver cimento e confusão e fui para o campo. Estrada fora lá avistei as primeiras palhotas entre muitas outras coisas, umas mais estranhas e outras bizarras à primeira vista. As estradas por aqui requerem uma grande destreza na condução (...e a estrada nº1 até estava bastante boa), pois a condução aqui têm uma dinâmica muito própria exigindo ao piloto uma capacidade adaptativa muito grande.
Chegámos ao complexo Palmeiras cerca de 2 horas depois, apenas para fazer pouco mais de 100km para norte de Maputo.
Aproximo-me do lago, avisto a cor azul da água límpida que preenche o cenário profundo e tranquilo, enquanto procuro o bungalow que nos foi indicado, penso para mim... "..espectáculo..."!
De repente a minha retina apercebe-se da areia extremamente branca e fina da praia que se escondia atrás de uma barreira de canas...
Sou completamente dominado pela euforia!
Atiro com a mochila para a palmeira mais próxima, arranco a t-shirt como se esta me estivesse a esganar e perco os chinelos no meio da corrida em direcção à agua...
...que é QUENTE!
Sem exagero, a temperatura da água devia andar pelo menos entre os 25º/30º e nunca tive um banho tão longo. O lago é excelente e enorme. Andei e nadei até não poder mais para conseguir perder o pé, ao ponto de, para terem uma noção de grandezas, ver os meus colegas na margem já bastante pequeninos. Cansado regressei e juntei-me à verdadeira sopa de Inov's C14 que naquele lago se instalou.
Depois de pela praia tchilarmos um pouco, num movimento de fuga ao sol que implacável sobre nós exercia toda a sua força, abeirá-mo-nos do restaurante-bar do complexo e ali nos quedamos num farto e tranquilo repasto.
Da travessa de marisco que para a mesa veio pouco há a dizer pois todos os adjectivos que aqui pudesse usar, iriam parecer gastos comparativamente à sensação de prazer, que senti ao saciar a minha enorme fome com tamanhas iguarias (...lagosta de nos fazer benzer e o camarão, absurdamente o mais delicioso que já comi...).
Passei estes dois dias, com o sentimento de que era um privilegiado por estar a gozar aquele momento tão bom mas também senti muito mérito por ali estar!
A noite, embora com a promessa de "música ao vivo para os jovens" por parte do hospitaleiro gerente do complexo Sr. António, apenas nos trouxe a La Bamba e companhia limitada tocada no orgão...
De barriga cheia e corpos quentes deste bafo permanente, la abandonámos o complexo à procura de uma disco então sugerida, que fica na cave de um hotel à entrada de Bilene.
Quando lá chegámos o espectáculo intimidava um pouco, parecia um pouco sinistro, mas não, era apenas africano!
O Set up de luzes daquela cave de hotel decrepita transformada em disco, resumia-se a 4 pequenas lâmpadas de cores ao centro da pista e creio que um strob. Fez lembrar a "Skiper" na freguesia de São Roque na Ilha do Pico à 10 anos atrás...
O espectáculo mesmo assim aconteceu, depois de nós, o grupo que lá ficou e não desistiu e o pessoal moçambicano que estava na disco, vencermos a intimidação que ambos sentimos pela diferença entre as nossas presenças.
A roda de dança formou-se e houve Marrabenta, Kuduro, kizomba, techno e rock a proporcionar dinâmicas de interacção muito sui generis, provocando em mim uma síntese entre o meu corpo e a t-shirt que trazia, em que o suor era apenas um catalisador a facilitar essa reacção.
O meu cabelo escorria água - Bom mas bom!!!
Sai cá para fora todo rebentado, depois de ter feito amigos e ter recebido lembranças, acreditando estar no fim da noite a julgar pelo cansaço, mas, para meu espanto, eram apenas duas e meia, o que faz todo o sentido tendo em conta que aqui amanhece lá para as 4:30.
Voltámos para o complexo e sem querer saber dos sapos que rondavam os nossos bungalow's, evidenciando a presença de mosquitos, despi-me e enfiei-me de novo dentro do lago....
.....QUENTE!
O dia seguinte deu direito à travessia, num barco que só visto (com 20 e poucos macacos lá dentro, ou seja nós), para o outro lado do lago que dá acesso ao mar. Lá dei o meu primeiro mergulho no Índico! Por ali andamos a passear, a ver centenas de caranguejos atletas e de olhos espetados, enquanto suportávamos com dificuldade a fúria e força do sol.
O ponto alto deste fim de semana (em que quase vertia umas gotinhas de tanto rir), aconteceu no regresso, quando o jovem Faustino, Skiper da nossa embarcação e aniversariante também, distraído com o telemóvel, talvez entre mensagens de parabéns, nos estava a encaminhar sem se aperceber, de encontro a uma margem quando eu entretanto não lhe dou o toque: "OH FAUSTIIIIINO"...
...assusta-se ao aperceber-se da situação, deixa cair o telemóvel que agarrava com uma mão para o chão do barco que tinha água pelos nossos tornozelos, atrapalhado, larga a outra mão do motor do barco que por sua vez, prendia num rebordo de madeira completamente podre e desfeito, este, solta-se do barco e cai na agua em direcção ao fundo. Num reflexo rápido é apanhado pelo nosso comandante, que em boa hora desistiu ou que entretanto já tinha capturado o seu aparelho, impedindo assim, a perda do nosso o motor ainda em funcionamento no fundo do lago mas não conseguindo evitar no meio de tanta confusão, o embate na margem.
Hilariante.
De regresso a casa paramos na estrada em Manhiça, a comprar fruta perfumada e saborosa, não sei se gastamos 2€ em todos os ananases, mangas e bananas que trouxemos para nossa casa. No final, fomos extremamente agradecidos e entre "kanimambos" nos foram explicando que nós, tínhamos sido muito bons para eles, pois tínhamos comprado muita fruta de uma só vez...
Só para terminar que aqui já é tardíssimo e levanta-se cedo....
Hoje tive um dia com algumas peripécias, entre elas as mais bizarras e esquisitas foram: o meu primeiro encontro com a polícia enquanto conduzia. Lá tive de pagar o meu primeiro "refresco", sob a ameaça de ficar sem carta. À noite, enquanto jantava em casa descansado com a minha colega, tocam à campainha e do outro lado esperavam-me, 3 jovens, desconfio que prostitutas.
Coincidências ou não, disseram o meu nome (apenas o primeiro) e eu tremendamente estupefacto pois o contexto tinha muitas nuances um bocado comprometedoras, lá as fiz perceber que não tinha chamado ninguém e que não devia ser eu....
THIS IS AFRICA MY FRIENDS



"Estamos Juntos"




domingo, 17 de janeiro de 2010

Casa!

Já cá estou, finalmente!!!

Ao fim de duas semanas a dormir onde calhava, na expectativa de rapidamente conseguir mudar para a casa que tínhamos em vista desde o inicio (ao que parece, a melhor casa disponível nesta zona onde estamos a procurar, bairro da Polana), digo-vos que é fantástica pois quando cá entrei a 1ª vez para a ver, o meu coração até ficou acelerado...
Já estava a chegar ao limite da exaustão.
Pelo meio houve passagem no hotel Terminus uns dias, um "pulinho" na casa das Anas, para depois passar para a casa do Afonso e da Marta, que cheios de boa vontade (uns fixolas) me cederam um colchão de espuma que era tão mau e quente, que rapidamente desisti dele para passar a dormir directo no chão.
A roupa já escasseava e abrir as minhas malas atafulhadas de roupa de duas semanas já começava a ser audacioso...
No final, ainda fui coroado com a subida e descida de 17 andares a pé, com malas às costas pois o elevador deixou de funcionar.
Ainda me doem as pernas!

Os elevadores por aqui são qualquer coisa de caricata, todos possuem grande carácter.
O da nossa fantástica casa, só sobe até ao 9º andar, os dois andares restantes para chegar ao nosso 11º, são feitos a pé.
Até que nem estamos nada mal pois no prédio do Afonso e da Marta, há um elevador para os andares pares, outro para os ímpares mas o "elevador ímpar" não funciona. Há historias de outros, que só param no 2º e no 9º unicamente e ainda elevadores que para, por exemplo pararem num 10º, fazem escala primeiro no 12º....
Até ver, ainda não ouvi falar de nenhuma excepção de elevador que funcionasse bem e os elevadores aqui nesta terra, são de um modo geral tema de grande discussão.

Quanto à nossa casa, a minha mudança teve de esperar estas duas semanas pois a casa estava em obras, creio que a ser minimamente remodelada.
Mudámos ontem, andámos em limpezas e muito trabalho há ainda para fazer!
Estou a dividi-la com a Madalena, o Luis e a Inês e estou a gostar muito do ambiente.
Ás "2 por 3" desistimos cansados.
Fomos buscar Laurentinas, instalámos o som que comprámos, entre os produtos que encheram dois carrinhos de compras no hiper aqui do sitio (Game), com o objectivo de rechear a casa com os bens mais indispensáveis e CELEBRÁMOS!
Cantámos e dançamos, ri-mos e brindámos!!!
A casa é qualquer coisa....
À noite, apesar de ainda não estarmos completamente instalados, recebemos os colegas Contactos que vieram dar uma espreitadela. Nós fomos os primeiros a conseguir casa e os restantes 40 de nós, andam por ai numa demanda complicada e a desesperar...

Espero agora conseguir acalmar um pouco e poder relaxar melhor, renovar energias indispensáveis para as semanas de trabalho.

O trabalho...
Ao fim de duas semanas começo a relaxar ligeiramente mas já andei completamente desorientado sem saber para onde me virar....
Ainda estou um pouco afoito, mas agora, mais focado nos objectivos.
Trabalho não falta!
Por aqui de um modo geral, trabalha-se a sério e muito.
Os dias são compridos pois amanhece por volta das 4:30 da manhã.
A minha hora de entrada é às 8h e eu, até que nem estou nada mal, pois há pessoal a entrar bem antes disso e a ter de fazer viagens grandes para o sitio de trabalho, eu estou pertinho!









domingo, 10 de janeiro de 2010

1ª Semana no Maputo

ESTOU FELIZ!!!!

Essa sensação foi ganha, no momento do trespasse da porta do avião, ao ser abraçado pelo bafo quente Moçambicano!!
(Realmente eu sempre fui um animal do calor, adoro o calor, nunca gostei do frio)

..fazendo "re-wind" para que se perceba alguma coisa deste meu blogue, tanto para conhecidos ou desconhecidos que nele venham a tropeçar...

Em jeito de registo, não só experiencial como também emocional, este meu blogue, tem como álibi para a a sua existência, a experiência que estou a viver.
Sou, um privilegiado e não apenas seleccionado candidato do programa INOV Contacto da AICEP (Agência para o Investimento e Comercio Externo de Portugal), programa de estágios internacionais para recém licenciados.

Vim parar a Maputo, o que é nada mais nada menos do que perfeito!
Sempre desejei vir para o hemisfério sul, tinha em mim um bichinho de curiosidade sobre África e obviamente, sabendo que ia deixar esse cantinho à beira mar plantado, todos os meus sentidos, sonharam calor, praia, sol, exotismo, contrastes culturais...
(ainda para mais, quando na altura da minha partida, estava por ai um frio de rachar)
..Pensei eu, ES-PEC-TA-CU-LAR!!!

Vim embora triste de Lisboa, não senti um abraço saudoso de estimulo, força e coragem. Esse apenas aconteceu com aqueles que realmente são certos e com quem sempre pude contar, a minha família.
Queixava-me de estar cansado da vida Lisboeta, dos seus padrões, lobby's e rotinas. Para além disso, havia em mim uma sensação crescente, de me sentir desvalorizado por aqueles que sempre considerei amigos, o que é para mim, uma subversão total de muitos referenciais que sempre tive como garantidos.
A todos eles fica a minha palavra de apreço "So Long Suckers"!!!

Esta experiência surge na hora "H", kanimambo AICEP, Kanimambo Luis Couto / António Salvador!!!

Já agora, Kanimambo significa obrigado, maningue significa muito e tchilar, obviamente significa curtir.

Estando a introdução e contextualização feita, vou relatar muito resumidamente, um pouco de esta minha primeira semana aqui!
É fácil visto que ainda não há muito a contar!
Cheguei domingo dia 3, depois de 20 e tal horas de viagem e fui deixado no Hotel.
Dia seguinte às 8h da manhã, estava a entrar na empresa para a reunião de planeamento anual. Desde então essa foi a minha rotina, 8h da manhã na empresa, com intervalos para almoço e regresso imediato. À noite, é "jantar, xixi e cama" praticamente.
O trabalho é muito, o que me tem deixado um bocado nervoso e esta semana ainda foi só o planeamento...
...enfim, não será nada de mais!

Quinta feira chegaram mais duas raparigas contactos, a Lena e a Sofia, foi a primeira vez que tive a beber umas Laurentinas um pouco mais descontraído, na sexta chegou um grupo maior de contactos e essa noite, já foi uma prova mais dura.

Entre o Rua d'Art, o Gil Vicente e a belissima CFM (Estação de caminhos de ferro) com o seu mágico workshop de tango, já deu para perceber que existe aqui uma boa oferta cultural...

Aproveito para fazer um reparo mais detalhado à CFM e ao workshop de tango que me proporcionou um momento inebriante...
A estação é lindíssima e o cenário é indescritível.
Tentem imaginar um cais de embarque, aproveitado e transformado em salão de baile, com calor, velhas carruagens como pano de fundo, corpos perfeitos trajados a rigor e a musica. O tango a provocar um entrelaçar de pernas sincronizado que emanava magia para o publico. Este dispunha-se calado em torno daquele salão improvisado, atento a todos os movimentos e contornos visíveis a meia luz. Lindo!!

Para já, deixo-vos aqui algumas fotos.
São poucas pois tenho tido preguiça de sacar a máquina, na expectativa que os colegas me façam chegar as fotos por eles tiradas.