O Bilene foi fenomenal!
(...o escaldão que apanhei também...)
Foi o primeiro fim de semana que consegui fugir de Maputo. Acordei após apenas ter dormido 1 hora, enfiei-me dentro dos nossos "chapas" em versão luxo e lá arrancamos 26 mariolas em direcção a norte pela estrada nº1.
Finalmente deixei de ver cimento e confusão e fui para o campo. Estrada fora lá avistei as primeiras palhotas entre muitas outras coisas, umas mais estranhas e outras bizarras à primeira vista. As estradas por aqui requerem uma grande destreza na condução (...e a estrada nº1 até estava bastante boa), pois a condução aqui têm uma dinâmica muito própria exigindo ao piloto uma capacidade adaptativa muito grande.
Chegámos ao complexo Palmeiras cerca de 2 horas depois, apenas para fazer pouco mais de 100km para norte de Maputo.
Aproximo-me do lago, avisto a cor azul da água límpida que preenche o cenário profundo e tranquilo, enquanto procuro o bungalow que nos foi indicado, penso para mim... "..espectáculo..."!
De repente a minha retina apercebe-se da areia extremamente branca e fina da praia que se escondia atrás de uma barreira de canas...
Sou completamente dominado pela euforia!
Atiro com a mochila para a palmeira mais próxima, arranco a t-shirt como se esta me estivesse a esganar e perco os chinelos no meio da corrida em direcção à agua...
...que é QUENTE!
Sem exagero, a temperatura da água devia andar pelo menos entre os 25º/30º e nunca tive um banho tão longo. O lago é excelente e enorme. Andei e nadei até não poder mais para conseguir perder o pé, ao ponto de, para terem uma noção de grandezas, ver os meus colegas na margem já bastante pequeninos. Cansado regressei e juntei-me à verdadeira sopa de Inov's C14 que naquele lago se instalou.
Depois de pela praia tchilarmos um pouco, num movimento de fuga ao sol que implacável sobre nós exercia toda a sua força, abeirá-mo-nos do restaurante-bar do complexo e ali nos quedamos num farto e tranquilo repasto.
Da travessa de marisco que para a mesa veio pouco há a dizer pois todos os adjectivos que aqui pudesse usar, iriam parecer gastos comparativamente à sensação de prazer, que senti ao saciar a minha enorme fome com tamanhas iguarias (...lagosta de nos fazer benzer e o camarão, absurdamente o mais delicioso que já comi...).
Passei estes dois dias, com o sentimento de que era um privilegiado por estar a gozar aquele momento tão bom mas também senti muito mérito por ali estar!
A noite, embora com a promessa de "música ao vivo para os jovens" por parte do hospitaleiro gerente do complexo Sr. António, apenas nos trouxe a La Bamba e companhia limitada tocada no orgão...
De barriga cheia e corpos quentes deste bafo permanente, la abandonámos o complexo à procura de uma disco então sugerida, que fica na cave de um hotel à entrada de Bilene.
Quando lá chegámos o espectáculo intimidava um pouco, parecia um pouco sinistro, mas não, era apenas africano!
O Set up de luzes daquela cave de hotel decrepita transformada em disco, resumia-se a 4 pequenas lâmpadas de cores ao centro da pista e creio que um strob. Fez lembrar a "Skiper" na freguesia de São Roque na Ilha do Pico à 10 anos atrás...
O espectáculo mesmo assim aconteceu, depois de nós, o grupo que lá ficou e não desistiu e o pessoal moçambicano que estava na disco, vencermos a intimidação que ambos sentimos pela diferença entre as nossas presenças.
A roda de dança formou-se e houve Marrabenta, Kuduro, kizomba, techno e rock a proporcionar dinâmicas de interacção muito sui generis, provocando em mim uma síntese entre o meu corpo e a t-shirt que trazia, em que o suor era apenas um catalisador a facilitar essa reacção.
O meu cabelo escorria água - Bom mas bom!!!
Sai cá para fora todo rebentado, depois de ter feito amigos e ter recebido lembranças, acreditando estar no fim da noite a julgar pelo cansaço, mas, para meu espanto, eram apenas duas e meia, o que faz todo o sentido tendo em conta que aqui amanhece lá para as 4:30.
Voltámos para o complexo e sem querer saber dos sapos que rondavam os nossos bungalow's, evidenciando a presença de mosquitos, despi-me e enfiei-me de novo dentro do lago....
.....QUENTE!
O dia seguinte deu direito à travessia, num barco que só visto (com 20 e poucos macacos lá dentro, ou seja nós), para o outro lado do lago que dá acesso ao mar. Lá dei o meu primeiro mergulho no Índico! Por ali andamos a passear, a ver centenas de caranguejos atletas e de olhos espetados, enquanto suportávamos com dificuldade a fúria e força do sol.
O ponto alto deste fim de semana (em que quase vertia umas gotinhas de tanto rir), aconteceu no regresso, quando o jovem Faustino, Skiper da nossa embarcação e aniversariante também, distraído com o telemóvel, talvez entre mensagens de parabéns, nos estava a encaminhar sem se aperceber, de encontro a uma margem quando eu entretanto não lhe dou o toque: "OH FAUSTIIIIINO"...
...assusta-se ao aperceber-se da situação, deixa cair o telemóvel que agarrava com uma mão para o chão do barco que tinha água pelos nossos tornozelos, atrapalhado, larga a outra mão do motor do barco que por sua vez, prendia num rebordo de madeira completamente podre e desfeito, este, solta-se do barco e cai na agua em direcção ao fundo. Num reflexo rápido é apanhado pelo nosso comandante, que em boa hora desistiu ou que entretanto já tinha capturado o seu aparelho, impedindo assim, a perda do nosso o motor ainda em funcionamento no fundo do lago mas não conseguindo evitar no meio de tanta confusão, o embate na margem.
Hilariante.
De regresso a casa paramos na estrada em Manhiça, a comprar fruta perfumada e saborosa, não sei se gastamos 2€ em todos os ananases, mangas e bananas que trouxemos para nossa casa. No final, fomos extremamente agradecidos e entre "kanimambos" nos foram explicando que nós, tínhamos sido muito bons para eles, pois tínhamos comprado muita fruta de uma só vez...
Só para terminar que aqui já é tardíssimo e levanta-se cedo....
Hoje tive um dia com algumas peripécias, entre elas as mais bizarras e esquisitas foram: o meu primeiro encontro com a polícia enquanto conduzia. Lá tive de pagar o meu primeiro "refresco", sob a ameaça de ficar sem carta. À noite, enquanto jantava em casa descansado com a minha colega, tocam à campainha e do outro lado esperavam-me, 3 jovens, desconfio que prostitutas.
Coincidências ou não, disseram o meu nome (apenas o primeiro) e eu tremendamente estupefacto pois o contexto tinha muitas nuances um bocado comprometedoras, lá as fiz perceber que não tinha chamado ninguém e que não devia ser eu....
THIS IS AFRICA MY FRIENDS(...o escaldão que apanhei também...)
Foi o primeiro fim de semana que consegui fugir de Maputo. Acordei após apenas ter dormido 1 hora, enfiei-me dentro dos nossos "chapas" em versão luxo e lá arrancamos 26 mariolas em direcção a norte pela estrada nº1.
Finalmente deixei de ver cimento e confusão e fui para o campo. Estrada fora lá avistei as primeiras palhotas entre muitas outras coisas, umas mais estranhas e outras bizarras à primeira vista. As estradas por aqui requerem uma grande destreza na condução (...e a estrada nº1 até estava bastante boa), pois a condução aqui têm uma dinâmica muito própria exigindo ao piloto uma capacidade adaptativa muito grande.
Chegámos ao complexo Palmeiras cerca de 2 horas depois, apenas para fazer pouco mais de 100km para norte de Maputo.
Aproximo-me do lago, avisto a cor azul da água límpida que preenche o cenário profundo e tranquilo, enquanto procuro o bungalow que nos foi indicado, penso para mim... "..espectáculo..."!
De repente a minha retina apercebe-se da areia extremamente branca e fina da praia que se escondia atrás de uma barreira de canas...
Sou completamente dominado pela euforia!
Atiro com a mochila para a palmeira mais próxima, arranco a t-shirt como se esta me estivesse a esganar e perco os chinelos no meio da corrida em direcção à agua...
...que é QUENTE!
Sem exagero, a temperatura da água devia andar pelo menos entre os 25º/30º e nunca tive um banho tão longo. O lago é excelente e enorme. Andei e nadei até não poder mais para conseguir perder o pé, ao ponto de, para terem uma noção de grandezas, ver os meus colegas na margem já bastante pequeninos. Cansado regressei e juntei-me à verdadeira sopa de Inov's C14 que naquele lago se instalou.
Depois de pela praia tchilarmos um pouco, num movimento de fuga ao sol que implacável sobre nós exercia toda a sua força, abeirá-mo-nos do restaurante-bar do complexo e ali nos quedamos num farto e tranquilo repasto.
Da travessa de marisco que para a mesa veio pouco há a dizer pois todos os adjectivos que aqui pudesse usar, iriam parecer gastos comparativamente à sensação de prazer, que senti ao saciar a minha enorme fome com tamanhas iguarias (...lagosta de nos fazer benzer e o camarão, absurdamente o mais delicioso que já comi...).
Passei estes dois dias, com o sentimento de que era um privilegiado por estar a gozar aquele momento tão bom mas também senti muito mérito por ali estar!
A noite, embora com a promessa de "música ao vivo para os jovens" por parte do hospitaleiro gerente do complexo Sr. António, apenas nos trouxe a La Bamba e companhia limitada tocada no orgão...
De barriga cheia e corpos quentes deste bafo permanente, la abandonámos o complexo à procura de uma disco então sugerida, que fica na cave de um hotel à entrada de Bilene.
Quando lá chegámos o espectáculo intimidava um pouco, parecia um pouco sinistro, mas não, era apenas africano!
O Set up de luzes daquela cave de hotel decrepita transformada em disco, resumia-se a 4 pequenas lâmpadas de cores ao centro da pista e creio que um strob. Fez lembrar a "Skiper" na freguesia de São Roque na Ilha do Pico à 10 anos atrás...
O espectáculo mesmo assim aconteceu, depois de nós, o grupo que lá ficou e não desistiu e o pessoal moçambicano que estava na disco, vencermos a intimidação que ambos sentimos pela diferença entre as nossas presenças.
A roda de dança formou-se e houve Marrabenta, Kuduro, kizomba, techno e rock a proporcionar dinâmicas de interacção muito sui generis, provocando em mim uma síntese entre o meu corpo e a t-shirt que trazia, em que o suor era apenas um catalisador a facilitar essa reacção.
O meu cabelo escorria água - Bom mas bom!!!
Sai cá para fora todo rebentado, depois de ter feito amigos e ter recebido lembranças, acreditando estar no fim da noite a julgar pelo cansaço, mas, para meu espanto, eram apenas duas e meia, o que faz todo o sentido tendo em conta que aqui amanhece lá para as 4:30.
Voltámos para o complexo e sem querer saber dos sapos que rondavam os nossos bungalow's, evidenciando a presença de mosquitos, despi-me e enfiei-me de novo dentro do lago....
.....QUENTE!
O dia seguinte deu direito à travessia, num barco que só visto (com 20 e poucos macacos lá dentro, ou seja nós), para o outro lado do lago que dá acesso ao mar. Lá dei o meu primeiro mergulho no Índico! Por ali andamos a passear, a ver centenas de caranguejos atletas e de olhos espetados, enquanto suportávamos com dificuldade a fúria e força do sol.
O ponto alto deste fim de semana (em que quase vertia umas gotinhas de tanto rir), aconteceu no regresso, quando o jovem Faustino, Skiper da nossa embarcação e aniversariante também, distraído com o telemóvel, talvez entre mensagens de parabéns, nos estava a encaminhar sem se aperceber, de encontro a uma margem quando eu entretanto não lhe dou o toque: "OH FAUSTIIIIINO"...
...assusta-se ao aperceber-se da situação, deixa cair o telemóvel que agarrava com uma mão para o chão do barco que tinha água pelos nossos tornozelos, atrapalhado, larga a outra mão do motor do barco que por sua vez, prendia num rebordo de madeira completamente podre e desfeito, este, solta-se do barco e cai na agua em direcção ao fundo. Num reflexo rápido é apanhado pelo nosso comandante, que em boa hora desistiu ou que entretanto já tinha capturado o seu aparelho, impedindo assim, a perda do nosso o motor ainda em funcionamento no fundo do lago mas não conseguindo evitar no meio de tanta confusão, o embate na margem.
Hilariante.
De regresso a casa paramos na estrada em Manhiça, a comprar fruta perfumada e saborosa, não sei se gastamos 2€ em todos os ananases, mangas e bananas que trouxemos para nossa casa. No final, fomos extremamente agradecidos e entre "kanimambos" nos foram explicando que nós, tínhamos sido muito bons para eles, pois tínhamos comprado muita fruta de uma só vez...
Só para terminar que aqui já é tardíssimo e levanta-se cedo....
Hoje tive um dia com algumas peripécias, entre elas as mais bizarras e esquisitas foram: o meu primeiro encontro com a polícia enquanto conduzia. Lá tive de pagar o meu primeiro "refresco", sob a ameaça de ficar sem carta. À noite, enquanto jantava em casa descansado com a minha colega, tocam à campainha e do outro lado esperavam-me, 3 jovens, desconfio que prostitutas.
Coincidências ou não, disseram o meu nome (apenas o primeiro) e eu tremendamente estupefacto pois o contexto tinha muitas nuances um bocado comprometedoras, lá as fiz perceber que não tinha chamado ninguém e que não devia ser eu....
"Estamos Juntos"
Estamos a ver que a vivência está a ser muito positiva!!
ResponderEliminarAs aventuras acabam por nao ser aventuras, fazem naturalmente parte do dia-a-dia africano, mas é sempre muito positivo partilhar tudo isso...
Noutro dia, sem escaldões mas com muito frio a mistura, travei conhecimento com uns colegas teus Inov's aqui na roménia!! estavam cá à uma semana e já andavam a descer pistas com snowboards!!
Não me pareceram tão entusiasmados como tu!! e invejaram muito os sortudos de mz...
Pode ser que a noite romena os faça mudar de ideias!!
Continua a aproveitar!! e continua com a partilha