sexta-feira, 7 de maio de 2010

Chapa

Há uma boa temporada que não dou novidades é bem verdade, mas os últimos tempos, desde a ida ao Tofo, não foram presenteados com mais nenhuma escapatória de Maputo que me faça deixar-vos aqui um relato para que fiquem com água na boca.
Neste ultimo mês no entanto aconteceram algumas coisas, umas muito boas e outras que pelo contrario, me valeram uns belos apertos no coração, mas qualquer uma delas foge ao registo que este blog tem construído e são despropositadas para aqui as expor.
Assim sendo, o meu relato deste post é focado na minha primeira experiencia de chapa.
Desde que cá cheguei que tenho como ideia que a experiencia de andar de chapa era algo a cumprir na minha lista de vivencias nesta terra.
Até agora nunca aconteceu porque na verdade, praticamente não tenho necessidade de me deslocar de chapa. Moro perto do sitio onde trabalho e ando essencialmente a pé.
De qualquer maneira o bichinho da curiosidade continuava a morar em mim a cada vez que os vejo passar hiper-lotados, com cerca de mais de 30 passageiros além dos 9 ou 12 lugares disponíveis no veiculo.
O que eu não poderia imaginar é que a minha primeira experiencia num chapa seria a conduzi-lo!
Não interessa estar a descrever a historia que me levou a esta situação, apenas que conduzi "o comum transporte publico" de Moçambique, de uma zona para lá de periférica da cidade de Maputo até à cidade da Matola, que será qualquer coisa como a Amadora em relação a Lisboa.
Foi uma curtição, Toyota Hiace, podre o quanto baste (há umas por cá a circular bem carregadas, tão podres que parece que se desintegram se alguém der um espirro e isso só não acontece porque dentro desses chapas carregados, as pessoas vão tão apertadas e tão umas em cima das outras que não há margem para espirrar), com uma caixa de 4 velocidades verdadeiramente feita num 8...
Quase que me senti um verdadeiro "Chapeiro" ao passar pelas paragens apinhadas e pelos sinais para parar em qualquer beira de estrada confusa...
Mudando de assunto, este post transforma este blog numa espécie de embrulho para o presente que tenho para ti Vicência.
Esta tarde tive de me deslocar à embaixada, fui munido da minha máquina fotográfica e adivinha?
...fui perguntar pelo teu pai!
Lá apareceu, um pouco perplexo a tentar perceber o que se estava a suceder e no meio de um encontro rápido (que eu fui lá de fugida ao meu trabalho e o senhor também estava no dele), lá contou a historia de como vieste para Portugal de vez, com dois anos, um traumatismo craniano e nunca mais se viram...
Trocámos números e ficamos de falar com mais calma (não sei quando, que estou apinhado de coisas para fazer) e um colega (não percebi se era chefe), fartou-se de gabar os "patos" que o teu pai faz em casa e que eu devia lá ir, ele insistiu que sim e que eu levasse uma amiga eheheheh =)
Estou a ver que me espera um fim de semana de patuscada com o teu pai!!

Beijos, também do teu pai!
A máquina
Sr. António

4 comentários:

  1. Nunca pensei me encher de lágrimas ao visitar o teu blog... Muito OBRIGADO Manel. E boa patuscada (vai mesmo).

    ResponderEliminar
  2. A mana já chegou? Que é que ela acha disso?

    ResponderEliminar
  3. Então Maria José, não dizes nada? Estamos à espera dos teus escritos.

    ResponderEliminar