domingo, 13 de junho de 2010

Notícias

Tem estado complicado para conseguir deixar aqui um pouco da minha atenção...
O tempo tem passado a voar e nunca pára!
Há muito que não alimento este espaço, porque, projectado pela força centrifuga desta roda viva, também não tenho parado...
Desde há mês e meio, este é o primeiro fim de semana de ronha que passo em Maputo.
Estou claramente a queimar os cartuchos que me restam.
Fiz anos!
Obrigado!
Recebi a visita da minha querida irmã, que veio como que tapar  um buraquinho de saudades, que teima em alargar à medida que cada dia passa e mais próximo fico do voo de regresso.
Já penso muito em estar aí desse lado...
Antes de todos estes fins de semana de viajem, estive cerca de mês e meio sem sair de Maputo e por isso foi muito merecida a ida pela primeira vez à África do Sul, para me banhar em natureza em toda a sua força.
Agora que faço uma retrospectiva, vejo que foi um privilégio ter feito com a minha irmã estas pequenas viagens (apesar dos cerca de 2500 km percorridos em solo Africano).
Já não vos consigo descrever em pormenor pois já faz tempo mas a sensação que ficou é imensa!
As paisagens são magnificas e não acabam (apesar de o céu não ter sido um grande parceiro).
Chega até a abalar um pouco a nossa noção interior de dimensões e espaço....
Fim de semana seguinte (este "mais comprido"), rumo de novo ao Tofo. Desta vez, numa viajem mais intimista tendo ido só com a minha irmã e com a Sandra. O tempo voltou a não cooperar o que permitiu que a viagem fosse mais tranquila e relaxada, passando mais tempo connosco próprios.
A turbulência aconteceu só mesmo de jipe, com um tempo terrível a dificultar ainda mais o atravessar as estradas do demónio que tivemos de percorrer e num carro cheio de manias! Carácter próprio da marca, com o qual já estava familiarizado de outras experiências.
Esta regresso ao Tofo, que para além do deleite daquela paz que naquele sitio se vive, trouxe também, apesar da chuva persistente, a visita à capital de província de Inhambane que pela qual passei a correr da primeira vez e que agora permitiu umas boas imagens!
O regresso a Maputo contou com uma paragem no lago do Bilene, para a mariscada que brindou o regresso à província da capital intactos. Talvez pela altura do ano e pelo mau tempo, o Bilene já não me pareceu o mesmo...
Sexta-feira arranco de novo e desta vez, para o Reino da Suazilândia, para ir ao festival anual Bush Fire.
A minha praia nunca foi festivais mas este valeu a pena!
No meio das montanhas (diz se por aqui que a Suazilândia é a Suíça de África), com uma vista bestial, com um friosinho nada bestial e um ambiente muito nice, bastante Áfro e bastante roots ao relembrar as performances vistas de rituais e danças tradicionais Swazis.
Ficamos num lodge dentro de um Game Park, que me permitiu ver os primeiros animais de grande porte em África no seu ambiente natural, como o caso do hipopótamo no lago, que nos saudou com a sua enorme bocarra escancarada, javalis, Impalas, zebras, macacos.
A casa era uma cabana bem grande, feita com várias camadas de caniço, muito confortável e proporcionou-nos uma noite deliciosa.
A Suazilandia aproximou-me à ideia de África, tal como a tinha concebido na minha cabeça.
Apesar de ser um pais vizinho, tal como a África do Sul, estes têm uma enorme diferença para com Moçambique, nota-se que há regras e que são respeitadas!
No entanto a Suazilândia é um dos países mais pobres de África e o pais com a esperança média de vida mais baixa do mundo de apenas 33 anos, condicionada pela elevadíssima taxa de HIV da população.
E por fim, o ultimo fim de semana de viagens anterior a este em que descanso e saboreio o meu cantinho no 11º andar sobre o Índico, foi marcado pelo regresso à África do Sul, desta, para ver bicharada a sério.
South Africa Kruger National Park!
E aqui tenho dificuldade na descrição...
Foi um pouco cansativo pois o Kruger é enorme, com uma área de aproximadamente 19mil km2, basicamente arranhamos um cantinho do Kruger e fartamos-nos de fazer quilómetros horas a fio, em busca da bicheza.
Não facilitou o não conseguirmos na véspera, encontrar sitio onde dormir dentro do parque, por estar já tudo cheio, o que implicou ter de sair para vir dormir ao bed & breakfast onde ficámos alojados.
Os animais estão na maior, aliás, eles é que são os maiores!
Somos visitantes que eles toleram até com um certo desinteresse na sua própria casa...
Girafas e mais girafas...
De repente, tenho uma fila indiana de cinco a atravessarem a estrada na maior descontracção do mundo na sua pose sempre perfeita...
Manadas de elefantes no seu reabastecimento de água matinal, de nos fazerem ficar parados 20 minutos de carro desligado a olhar para eles enquanto para ali gingavam pachorrentos...
Impalas sem fim para alimentar a bicharada carnívora...
Muitas mesmo...
Manadas de búfalos a olhar para mim com um ar bem zangado enquanto aliviava o meu xixi e os observava...
Elefantes sozinhos ou acompanhados, girafas idem, búfalos, rinocerontes, gnus, zebras, macacos, crocodilos, lagos a perder de vista cheios de hipopótamos, elefantes a banharem-se em outros lagos a perder de vista...
Só vendo mesmo!
Faltou o leão, o rei, dar o ar de sua graça mas nesse fim de semana, nem ele nem o leopardo estiveram para isso...
Gazeta!
A África do sul é um excelente exemplo da rentabilização e organização da natureza em prol do turismo, em harmonia com a exploração agrícola.
E enfim, cá ando...
As ultimas semanas têm sido bastante preenchidas e não tenho tempo para nada, comecei a sério a minha demanda de emprego e ando em entrevistas.
Entre os milhares de afazeres, comecei também o trabalho chato e complicado da procura de casa, pois muito lamentavelmente não vou poder continuar na que estou (e os 11 andares sem elevador mantêm-se e já doem bastante).
Vamos ver o que acontece nos próximos episódios....
O regresso está para breve (não sei se temporário apenas...) apesar de ter adiado o voo por mais um mês.
Blyde River Canyon
"Suuweet" nas estradas do demo
Quissico
Inhambane
O nosso Machimbombo - Awindawe awindawe...
O nosso pardieiro de repouso na praia do Tofo - Quase que um castelo para os dias que correm...
 
Pumba
Garotas
Us & Afro Caps @ Swaziland Bush Fire Fest
 
Bush Fire
Logo à noite venho cá para limar as arestas e colocar as fotos que ainda faltam do Kruger

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Chapa

Há uma boa temporada que não dou novidades é bem verdade, mas os últimos tempos, desde a ida ao Tofo, não foram presenteados com mais nenhuma escapatória de Maputo que me faça deixar-vos aqui um relato para que fiquem com água na boca.
Neste ultimo mês no entanto aconteceram algumas coisas, umas muito boas e outras que pelo contrario, me valeram uns belos apertos no coração, mas qualquer uma delas foge ao registo que este blog tem construído e são despropositadas para aqui as expor.
Assim sendo, o meu relato deste post é focado na minha primeira experiencia de chapa.
Desde que cá cheguei que tenho como ideia que a experiencia de andar de chapa era algo a cumprir na minha lista de vivencias nesta terra.
Até agora nunca aconteceu porque na verdade, praticamente não tenho necessidade de me deslocar de chapa. Moro perto do sitio onde trabalho e ando essencialmente a pé.
De qualquer maneira o bichinho da curiosidade continuava a morar em mim a cada vez que os vejo passar hiper-lotados, com cerca de mais de 30 passageiros além dos 9 ou 12 lugares disponíveis no veiculo.
O que eu não poderia imaginar é que a minha primeira experiencia num chapa seria a conduzi-lo!
Não interessa estar a descrever a historia que me levou a esta situação, apenas que conduzi "o comum transporte publico" de Moçambique, de uma zona para lá de periférica da cidade de Maputo até à cidade da Matola, que será qualquer coisa como a Amadora em relação a Lisboa.
Foi uma curtição, Toyota Hiace, podre o quanto baste (há umas por cá a circular bem carregadas, tão podres que parece que se desintegram se alguém der um espirro e isso só não acontece porque dentro desses chapas carregados, as pessoas vão tão apertadas e tão umas em cima das outras que não há margem para espirrar), com uma caixa de 4 velocidades verdadeiramente feita num 8...
Quase que me senti um verdadeiro "Chapeiro" ao passar pelas paragens apinhadas e pelos sinais para parar em qualquer beira de estrada confusa...
Mudando de assunto, este post transforma este blog numa espécie de embrulho para o presente que tenho para ti Vicência.
Esta tarde tive de me deslocar à embaixada, fui munido da minha máquina fotográfica e adivinha?
...fui perguntar pelo teu pai!
Lá apareceu, um pouco perplexo a tentar perceber o que se estava a suceder e no meio de um encontro rápido (que eu fui lá de fugida ao meu trabalho e o senhor também estava no dele), lá contou a historia de como vieste para Portugal de vez, com dois anos, um traumatismo craniano e nunca mais se viram...
Trocámos números e ficamos de falar com mais calma (não sei quando, que estou apinhado de coisas para fazer) e um colega (não percebi se era chefe), fartou-se de gabar os "patos" que o teu pai faz em casa e que eu devia lá ir, ele insistiu que sim e que eu levasse uma amiga eheheheh =)
Estou a ver que me espera um fim de semana de patuscada com o teu pai!!

Beijos, também do teu pai!
A máquina
Sr. António

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tchilar Maningue

Que raio...
Dei por mim a pensar, como é que eu não fiz ainda este post tão óbvio??
Tchilar Maningue, as palavras que fizeram o meu blog acontecer. Isto sem dúvida que daria "pano para mangas", muito há para contar...
É um momento curioso para eu me lembrar de escrever sobre este tema, pois entre os mais variados factores, encontro-me quase a meio da experiência sobre a qual tenho escrito ao longo de todos estes post's, e, ao deparar-me com esta consciência, dou por mim a olhar para o calendário e a contabilizar os dias que restam....
Mais curioso ainda é, hoje durante o decorrer do dia, no meio da agitação de rotina,  sem qualquer relação (pelo menos consciente), ter comprado um relógio de pulso a um "bro" (certamente falsificado ou contrabandeado), logo eu que detesto usar relógio...
Consigo sentir que estou a viver um sonho e ele é real!
Estando aqui, consigo estar longe, como também ir para longe de mim, e onde quer que esteja, sinto-me bem!
Há qualquer coisa de leve...
Já nem sei como retomar deste divagar...
The clock is ticking
O tempo é o meu pior inimigo!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mais coisas giras...

Deixando-me de contar histórias, passo a falar de fragmentos.
Continua a ração de atum com grande frequência, continua o calor, apesar de o tempo ter arrefecido um pouco e de os Moçambicanos se queixarem de frio.
Entrei para um ginásio (esta é espectacular)...
O meu ritmo de trabalho e consequentemente de dia-a-dia mudou um pouco, cansado de andar a encher chouriços (vida de estagiário), virei-me para o meu chefe e disse-lhe literalmente que: "qualquer dias abres uma charcutaria à porta da empresa só com os chouriços que eu para aqui ando a encher".
Resultado, levei logo com dois estudo para cima, para abrir a pestana que até estala (como diz alguém que eu conheço). Está a ser mais interessante, acho que se adequa mais ao meu ritmo e ao meu perfil, embora eu ache que ainda não fiz nada do outro mundo...
A consequência desta mudança é que voltei a não ter uma rotina muito certa de horários, são 21:05 aqui e estou na empresa a escrever-vos esta mensagem de fugida, enquanto espero que dois dos nossos inquiridores acabem o seu trabalho.
A media de saída da empresa passou a roçar as 22h, tendo picos pontuais de 3h da manhã e o horário de entrada passou a ser às 7h (isto inclui fins de semana), mas estou a gostar mais.
Com estes horários, não tenho ido ao ginásio pois não tenho tido tempo (e sinto falta), mas para compensar, o elevador do meu prédio avariou e a minha ginástica diária passou a ser "Step" de 11 andares...
As ratazanas continuam por ai, polulam como coelhos. Convivemos com elas num limbo delicado de quem sabe que o adversario se encontra na eminencia de se apoderar da cidade.
Uma noite destas ia a entrar em casa por volta das 3h da matina e sai uma disparada de um compartimento ao lado do elevador do predio, em direcção à garagem que parecia um lobo. Ainda tive de me desviar que ela vinha toda lançada de unhas a derrapar no ladrilho e ainda se despistava contra mim...
Falando em casa, 4 bichos (somos nós) a habitá-la, a consumir água e luz, com uma maquina de lavar que anda todo o santo dia, ar condicionados e afins, creio que pagámos uma conta correspondente a 30€ (que é dividida por 4) de água e luz somadas, este mez passado.
NICE!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tofo (Maré de azar - Parte II)

Este mau Karma teima em não ir embora de vez...
O fim de semana passado deu direito a uma ida ao Tofo na província de Inhambane, cerca de 600Km a norte de Maputo.
Andei toda a semana de trabalho a contar os segundos que faltavam para chegar o fim de semana e a projectar na minha cabeça todo o potencial de prazer que este poderia alcançar.
No entanto, chegada a sexta feira, o meu Karma de azar voltou a evidenciar-se, começando com uma saída atropelada de Maputo, correndo para as pessoas que me esperavam à uma hora, tendo abandonado o escritório após ter levado uma chicotada psicológica do meu chefe relativa a trabalho....
PRECISO DE SAIR!!!
A ideia de fazer estrada ao volante de uma qualquer jipanga África a fora, musica, amigos e um destino paradisíaco no final, já me estava a deixar a espumar da boca...
Mais tarde do que previsto, para uma viagem que em condições normais demora 7/8horas, arrancamos depois de termos formado a "nossa" parelha entre os carros disponíveis.
Eram vocês mesmo garotas, com quem eu queria "ir embora", com quem eu "queria dar o fora", eram vocês que eu queria naquele carro para fazer aquela viagem a cantar o “Quotidiano” a plenos pulmões, convosco, com o Caetano e com o Chico "EU QUEEEERO QUE VOCÊÊÊÊ VENHA COMIGO"…
Andei durante a semana toda com a música na cabeça e a imaginar o momento em que a pudéssemos cantar...
Por mim, ela foi cantada para vocês!
Foi alto clímax que encetava um fim de semana em grande, mas, este momento de êxtase culminou quase de imediato com o motor do carro partido!
O V6 gripado no meio do nada quase a 100 km de Maputo, provocou um enorme galo na minha expectativa!
Por causa desta peripécia que implicou reboque atracado a outro jipe, meninas a apanhar boleia durante centenas de km's nas caixas abertas de pickup's, cerca de 3 horas na Manhiça a beber Laurentinas e a pensar no sucedido com cara de tacho à espera de uma boleia que "há de vir", lá chegamos ao Tofo cerca de 14horas depois de termos partido de Maputo (o novo amigo Libanês que nos deu boleia, era muito cuidadoso com o carro...).
...viagem feita de noite, quadruplicando a exigência necessária, andarmos no limiar de ficar sem gasolina às 2h da manhã no meio do nada, são outras peripécias menores que também se incluem...
A chegada mereceu um mergulho delicioso no mar.
Lá nos instalamos num backpacker's feito, nada mais nada menos, do que na duna da praia. A cabana/palhota albergava um beliche e duas camas, ventoinha sempre ligada para haver ar a circular, areia fina ao abrir a porta e areia fina a fazer de soalho desta nossa "casa".
No dia seguinte, tentei ir nadar com tubarões baleia (uns bicharocos com modestos 20 metros), mas tive azar, o dia estava encoberto e o mar um pouco batido, dificultando a percepção de onde andava esta fauna.
Valeu o passeio de barco e as braçadas dadas junto de uma raia bem grande.
Praia, praia, praia, uma enorme praia e muito pouco povoada, era tão bom que quase que saturava. Tivemos de a abandonar para descobrir outro lugar, e assim, do Tofo fomos até à Barra onde nos instalamos na piscina do bar do resort Flamingo's, a bebericar caipirinhas com um cenário de por do sol magnifico.
Sempre em festa, acompanhados também de uma nova amiga Dinamarquesa que falava Brasileiro (ela e a Lena, eram as duas garotas com a forma de falar com mais charme do Tofo), fomos arrasando à passagem, primeiro com a "Casa de Comer" onde jantamos entre quadros e depois a casa onde o Jean e a sua Cia. Lda. estava instalada, regressando por fim já cansados às nossas palhotas, não sem antes passar novamente pela praia para novo mergulho nocturno, desta vez pelado!
No dia seguinte entre praia e mais praia, quedamo-nos durante umas horas numa espécie de piscina natural de água quente, que na praia se formava e ali ficámos numa inércia deleitosa, a perder as inexistentes forças para voltar para Maputo.
8 horas de viagem e trazem-nos de volta à realidade no bater da meia noite.
Xixi e cama (exaustos), que amanhã retoma-se o ritmo de trabalho.
"Amigas"
Por do Sol e Caipiras na Piscina @ Flamingo's (Barra)

quinta-feira, 25 de março de 2010

AInda mexe

O tempo de standby da minha actividade clandestina do registo de emoções já vai longo..
A maré de azar, no que diz respeito à minha maçã branca, parece que veio para ficar. A coitada apanhou tal empeno no software/hardware que está difícil de a recompor. Deve ser qualquer coisa como Malária informática.
Por cá continua invariavelmente a fazer calor, o site Accuweather anuncia para o dia de hoje 34ºC (43ºC RealFeel), confesso que custa um bocadinho mas apesar de custar, sabe-me que nem ginjas. Calor de noite, de dia e às horas do meio dia! Sempre calor!
Durante este intervalo do meu relato aconteceram, se nada me foge da memória, três escapatórias de Maputo.
A ida à Ilha de Inhaca, um regresso à Ponta d'Ouro (onde "quase" nos ia saltando uma roda do carro) e a ida ao Xai Xai que não vou descrever, por ser uma repetição de boas sensações já descritas anteriormente em outros lugares e também por ter estado a maior parte do tempo inconsciente devido à noite da véspera não ter merecido uma passagem pela cama..
Inhaca é um sitio que quero repetir!
A viagem de barco dói um pouco, 2h de caminho em que o ideal é arranjar um canto e dormir para ver se passa rápido. Como alternativa havia um outro barco que fazia o percurso em metade do tempo mas nos preferimos o low cost/aventura.
Sair do barco foi a aventura dentro da aventura pois este parou ao largo da ilha e foi recebido por lanchas, botes e barcaças a motor para recolher os passageiros e os levar até à areia da praia.
Passar do barco para os botes ou barcaças, com um mar um tanto ou quanto batido, deu direito a muitos mergulhos involuntários no mar.
Á chegada lá nos esperavam os guardas a cobrar 100 ou 200 meticais por pessoa, para ajudar na preservação da ilha que bem merece.
A contemplação deste espaço, abraça barcos perdidamente semeados e de casco tombado por este areal extenso, à espera que outras marés lhes devolvam a água, para que assim possam de novo ganhar vida..
A água é AZUUUUL e límpida, o sol é quente e irradia uma enorme luminosidade.
Lá fomos rapidamente deixar as nossas coisas (eu não deixei nada porque sou light weight traveller) ao Manico Camp que nos acolheu. Para lá chegar, trepamos todos para a caixa aberta de uma pickup que era conduzida despreocupadamente por entre a vegetação. Ao estilo de jogo de computador, lá fomos atentamente agarrados, a desviar-nos das ramagens que íamos rasgando e ameaçavam chicotear-nos à menor distracção.
Palhotas com uma ventoinha no interior, bem confortáveis por sinal, banhos de chuveiro em balneários de madeira palhinha e canas e latrinas que não merecem descrição, era tudo o que nos esperava. Claro está, havia também o bar onde nos podíamos abastecer de Laurentinas, o centro das palhotas onde se fazia a fogueira durante a noite e as duas espreguiçadeiras por baixo do abrigo de colmo, que boas sestas me proporcionaram.
Voltamos à vila (para qualquer lado que nos deslocássemos havia o tal jogo ninja das ramagens) para encher o buxo de marisco no "humilde estabelecimento" do Sr. Armando Carioca e arrancamos para a Ilha dos Portugueses num semi-rigido (que ao fim de cada viagem de ida tinha de ser enchido à bombada pois a lona tinha um furo), acompanhados de uma lancheira recheada de coisas boas para ajudar a degustar aquele resto de tarde.
A Ilha dos Portugueses é a ilha!
...para se ir com aquela pessoa, ficar de um dia para o outro ou mesmo mais e curtir!!
Curtir o mar, a vista a natureza, a vida e tudo isto claro está, pelado!
De cervejinha em cervejinha lá ficamos a passear e a ver o sol a despedir-se. Voltamos no semi-rigido, depois de muito dar à bomba novamente, já a desafiar o fim do crepúsculo, no limite da visibilidade para quem anda no mar...
...o ceu era brutal!
Á noite fizemos a festa no Sr. Armando Carioca e reunimos com o colega Frederico que foi desterrado para este paraíso escondido (coitado) e fomos descobrir quase em cima da praia, um festão de aniversario onde fomos extremamente bem recebidos e tchilamos até não poder mais.
O dia seguinte, levou-nos à outra costa da ilha (sempre com movimentos ninja por causa das ramagens do caminho), até "Santa Maria" que é uma praia lindíssima com coral, onde lá descolamos uns óculos e um escafandro e lá fui eu ter com a bicharada amigável. Vêem-se coisas muuuuuuito fixes!
Não quero voltar para Maputo, era forte este sentimento à hora do regresso.
Mudando para outros assuntos e abandonando a Inhaca que estes revivalismos estão a deixar-me de água na boca...
Quase de surpresa recebi cá em Moçambique, uma ligação com a vida que deixei para trás, que veio abanar um pouco, no sentido de me fazer pensar na velocidade de como todas estas emoções e a continua novidade tem acontecido mas que também me aproximou a memórias do que em Portugal deixei, do que em Portugal me espera ou mesmo do que em Portugal lê o meu blogue.
Beijos a todos vocês.
Xai Xai
Ponta d'Ouro II
Ilha de Inhaca - Praia de Stª Maria
Tasco do Sr. Armando Carioca (Na foto ao fundo)
A caixa aberta da PickUp que desbravava as ramagens
Desembarque turbolento em Inhaca
Inhaca
Ilha dos Portugueses