domingo, 14 de fevereiro de 2010

Nem tudo são rosas...

É verdade, nem tudo são apenas rosas, há também os espinhos que mesmo implicando todo o cuidado e atenção, muitas vezes e incontornavelmente também nos ferem.
Serve o presente post para falar um pouco desses espinhos com os quais vou lidando no meu dia a dia, para que o meu blogue, não seja só sobre coisas de deixar a malta, que por ai anda a bater o dente nesse cantinho à beira mar plantado, roída de inveja.
A entrada na empresa é às 8h da manhã, hora do dia em que se sente um sol abrasador e um calor asfixiante muitas vezes...
O trabalho que tenho feito, tem me deixado os olhos em bico, pois à vários dias que trato um ficheiro extenso, desde o momento em que chego de manhã, até ao momento em que saio ao fim do dia.
"i'm so thrilled"...
Para alem disso, a minha lista de to-do's está bem recheada e a realidade do tempo disponível para os resolver é escassa.
Frustrating.
...tudo isto é à parte de o contexto "deste lado", ser completamente diferente e a dificuldade em encontrar referenciais ser grande, pois não existem grandes padrões a que pelo menos eu, estava habituado.
Mudando de "espinho" para o nosso Artur, que já apresentei em post's anteriores e que não é lamentavelmente um mestre da culinária.
Desde o primeiro dia em que na nossa casa começou a trabalhar, passei a não almoçar fora, devido à proximidade do sitio onde trabalho, à necessidade de poupar e ao fastio que já sentia em estar constantemente a comer fora, para passar à ração de atum do Artur.
Não houve um único santo dia em que o rapaz não me fizesse atum para almoço!
Arroz é também um acompanhamento que está sempre presente e feito desproporcionalmente a mais em relação aos elementos que este deve acompanhar.
Ora atum com arroz, ora com feijão e arroz, ora com feijão, milho e arroz, não havendo grande rotação nestas variações.
Ainda vou ganhar umas barbatanas...
Os fins-de-semana em Maputo, massacram com ressacas sofridas, a limitação de não termos meios para explorar, deixa-nos aqui entalados a definhar.
Este fim-de-semana contou com um jantarico "modesto" em casa da Cônsul e com a festa oficial da inauguração da nossa casa, que aproveito e coloco abaixo fotos melhores, para também a vós vos apresentar.
O ultimo "espinho" que fecha este Post, em jeito de coroa deste roseiral, é o de eu ontem ter sido assaltado!
A verdade é que me coloquei a jeito pois passeava em plena rua/zona do crime (muito no estilo das ruelas do Cais Sodré, degredo - versão África), com a maior descontracção da vida de mão dada com um pifo, que por acaso não posso dizer que fosse o maior da vida...
Resultado, choveram-me a mim e ao meu colega, uns 20 marmanjos em cima que me fizeram descolar os pés do chão, durante um instante demasiado rápido para a minha percepção e demasiado longo para a ausência de contacto com o solo, enquanto me debatia impulsionado por uma mistela de adrenalina e nervosismo toldados pela dificuldade de percepção, esperneando tentando defender sei lá eu o quê...
Adeus dinheiro, adeus telemóvel, adeus carta de condução, adeus cartões credito e multibanco, adeus cartão de cidadão, adeus carta de marinheiro, adeus certidão de residente em Moçambique...
Até um dia!
Espectacular, sem documentos, nem dinheiro virei clandestino.

O nascer do sol na varanda do meu quarto e a sua vista ao meio dia respectivamente.

Batiques ao vento no Mercado do Pau
Viagem de Xoupela
Festinha

4 comentários:

  1. Não sabia que tinhas tanta habilidade para escritor...

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  2. Ó Manel, então os tempos do verbo haver não são sempre com h?

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  3. Então não pões mais nada de novo?

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